A história se repete: guerras, guerras...
Guerras Mundiais: por que elas começaram? | BBC Brasil
Quais os fatores que desencadearam as grandes guerras mundiais? E será que corremos o risco de um novo conflito dessa magnitude acontecer em 2025? Essas perguntas veem à mente diante de guerras que persistem, como na Ucrânia e em Gaza, de uma retórica mais belicista de líderes como Vladimir Putin e da atual corrida armamentista em curso na Europa. Neste vídeo, a repórter Julia Braun conversa com especialistas para mostrar os elementos-chave por trás da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. Esses especialistas também avaliam até que ponto esses elementos estão presentes hoje.
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O que o passado sugere sobre o futuro?
Mas quais desses fatores estão presentes na conjuntura internacional de hoje — e o que isso significa para o nosso futuro?
Os especialistas consultados pela BBC Brasil concordam que é difícil fazer essa avaliação enquanto ainda estamos vivendo os eventos. Toda a análise feita sobre a 1ª e 2ª guerras só é possível porque existe um distanciamento de tempo.
Mas os historiadores e analistas disseram que muitos dos fatores presentes nesses dois grandes conflitos também podem ser identificados atualmente.
Um dos pontos mais claros é justamente o desenrolar de vários conflitos ao mesmo tempo. Além da guerra na Ucrânia e dos confrontos no Oriente Médio, há cada vez mais disputas territoriais no Mar do Sul da China, além de impasses em torno da independência de Taiwan e do arsenal nuclear da Coreia do Norte.
O Sudão também enfrenta um conflito devastador e regiões como o Sahel e o Chifre da África sofrem com insurgências e conflitos armados.
E em todos esses casos é possível identificar a influência das grandes alianças e potências de hoje.
Uma das divisões mais evidentes é entre os Estados Unidos e seus aliados ocidentais, de um lado, e a China e a Rússia, de outro.
"Essa cooperação mais estreita entre China, Rússia, Coreia do Norte e Irã, que vimos particularmente em referência à guerra na Ucrânia e suprimento de armas, é uma das coisas mais sinistras que eu diria haver nos últimos cinco anos", opina David Stevenson, da London School of Economics.
O historiador identifica ainda o crescimento dos sentimentos nacionalistas e imperialistas, assim como uma tendência a querer alterar o equilíbrio de poder vigente — especialmente por parte da Rússia e seus aliados.
O russo Vladimir Putin e o chinês Xi Jinping, por exemplo, falam constantemente de sua "visão para uma nova ordem mundial" e do "objetivo de formar um mundo mais justo e multipolar".
Também não podemos ignorar o fato de que os gastos com defesa estão subindo há alguns anos. Em 2023, por exemplo, as despesas militares mundiais cresceram 6,8%, alcançando o maior aumento percentual desde 2009.
Os analistas apontam, porém, a necessidade de pensar em todos os momentos da história em que muitas dessas características também se formaram e, apesar de tudo apontar para a possibilidade de uma guerra expandida, nada aconteceu.
Na Guerra Fria, por exemplo, além de todos os demais fatores, os historiadores identificam diversos momentos de grande tensão que poderiam ter servido como gatilhos para um conflito armado, mas que felizmente nunca aconteceu.
A crise dos mísseis de Cuba (quando EUA e União Soviética estiveram à beira de um conflito nuclear pela tentativa de instalações de mísseis soviéticos em Cuba, em 1962) é apenas um exemplo de uma situação que poderia ter saído do controle e gerado mais violência.
"É muito difícil avaliar e mensurar a seriedade do risco atual, mas diria que existe um risco plausível", afirmou Richard Caplan, da Universidade de Oxford.
O especialista destaca a situação na Ucrânia como especialmente delicada.
"A maior preocupação é que a Rússia faça com seus outros países vizinhos o que fez com a Ucrânia", diz Caplan, que teme que uma situação como essa possa significar um confronto direto entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — a aliança militar composta por 32 países, incluindo os EUA, Reino Unido, França e Alemanha.
Já o acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel foi recebidas com otimismo — mas também cautela — pela comunidade internacional.
A situação no Oriente Médio segue frágil e os acordos entre as duas partes que interromperam conflitos anteriores foram, em várias ocasiões abalados por desentendimentos e acabaram rompidos.
O cronograma e a complexidade do cessar-fogo atual também indicam que até mesmo um pequeno incidente pode se transformar em uma grande ameaça à paz.
O novo governo dos Estados Unidos, com Donald Trump à frente da Casa Branca, também significa novas incógnitas sobre o futuro das relações internacionais.
A sugestão apresentada pelo republicano de que os Estados Unidos poderiam "assumir o controle" da Faixa de Gaza e tomar "posse" do território, reassentando sua população em outro lugar, foi recebida com surpresa e repúdio.
Segundo analistas, a proposta do presidente Trump poderá sinalizar a maior mudança na política americana para o Oriente Médio das últimas décadas.
Ao mesmo tempo, em seus primeiros dias no cargo, o republicano afirmou que a Rússia enfrentará "altos níveis de taxas, tarifas e sanções" se o presidente Vladimir Putin não acabar com a guerra na Ucrânia.
Trump mantém antipatia expressa pela Otan e, em sua primeira passagem pela Casa Branca colocou em prática fortes políticas pró-Israel. Seu governo também assumiu posição linha-dura em relação ao Irã.
Tudo isso, segundo críticos, pode causar um efeito desestabilizador, especialmente no Oriente Médio.
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Por que é tão difícil terminar uma guerra?| BBC Brasil
Um lado se rende, outro vence, um papel é assinado e a guerra chega ao fim – é geralmente assim que imaginamos o fim de uma guerra. Mas, nos conflitos modernos, esse tipo de desfecho é cada vez mais raro. É um processo que pode se arrastar por meses, até anos. E, em muitos casos, não fica claro quem realmente saiu vencedor. Líderes podem cair em armadilhas retóricas; fatores ideológicos e religiosos podem entrar no caminho; e o sucesso no campo de batalha nem sempre se traduz em vitória estratégica. Neste vídeo, o repórter João da Mata conversou com historiadores e especialistas em geopolítica e guerras para entender por que as guerras raramente terminam de uma forma clara e definitiva.
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5 razões para derrota dos EUA na Guerra do Vietnã| BBC Brasil
Os EUA perderam a guerra em casa

Este conflito é frequentemente denominado "a primeira guerra televisiva" e o grau de cobertura da mídia que recebeu foi sem precedentes.
Em 1966, os Arquivos Nacionais dos EUA estimam que 93% das famílias americanas tinham um aparelho de TV e as imagens que assistiam eram menos censuradas e mais imediatas do que em conflitos anteriores.
É por isso que as cenas de combate ao redor do complexo da embaixada dos EUA em Saigon durante a ofensiva do Tet foram tão poderosas. O público viu quase em tempo real que os vietcongues foram capazes de levar o conflito diretamente ao coração do governo do sul - e às salas de estar do público americano.
A partir de 1968, a cobertura foi amplamente desfavorável à guerra - imagens de civis inocentes sendo mortos, mutilados e torturados foram exibidas na TV e nos jornais e muitos americanos ficaram horrorizados e se voltaram contra a guerra.
Um enorme movimento de protesto surgiu com grandes eventos em todo o país.

Em uma dessas manifestações, em 4 de maio de 1970, quatro manifestantes estudantis pacíficos na Kent State University em Ohio (EUA) foram mortos a tiros por guardas nacionais.
"O Massacre do Estado de Kent" apenas fez com que mais pessoas se voltassem contra a guerra.
Um recrutamento extremamente impopular de jovens também teve um efeito desastroso na opinião pública, assim como as imagens dos caixões de soldados americanos voltando para casa - cerca de 58.000 soldados americanos morreram ou desapareceram na guerra.
Para o professor Vu, esta foi uma grande vantagem para o norte: embora suas perdas fossem muito maiores, seu estado totalitário tinha controle absoluto sobre a mídia e o monopólio da informação.
"Os EUA e o Vietnã do Sul não tinham a capacidade e a vontade de moldar a opinião pública na medida em que os comunistas podiam", diz ele. "Eles têm um sistema de propaganda massivo. Eles fecharam a fronteira e reprimiram a dissidência. Quem discordasse da guerra era mandado para a prisão."
Nguyen, do Norte, concorda: “A América perdeu a guerra da mídia. O Vietnã do Norte estava completamente isolado do mundo, então os erros de seu governo não foram revelados, o mundo apenas os via como justos. Mas as imagens das atrocidades da América se espalharam por toda parte.”
Os EUA perderam a batalha da aprovação pública no Vietnã do Sul

Este foi um conflito excepcionalmente brutal que viu os EUA utilizarem uma grande variedade de armas horríveis.
O uso de napalm (um incendiário petroquímico que queima a 2.700°C e se apega a tudo o que toca) e o agente laranja (outro produto químico usado para prejudicar a cobertura florestal inimiga, mas que também matou plantações causando fome) teve efeitos particularmente adversos na percepção dos EUA entre as populações rurais.
Missões de "busca e destruição" mataram inúmeros civis inocentes em eventos como o massacre de My Lai em 1968, em que soldados americanos assassinaram várias centenas de civis vietnamitas no incidente mais infame da Guerra do Vietnã.
O número de civis mortos afastou uma população local que também não estava necessariamente inclinada a apoiar o vietcongue.
"Não é como se a grande maioria dos sul-vietnamitas fossem comunistas comprometidos - a maioria das pessoas só queria seguir com suas vidas e evitar a guerra na medida do possível", diz Middup.
Vu concorda que os EUA tiveram dificuldade para conquistar corações e mentes."É sempre difícil para um exército estrangeiro fazer as pessoas felizes - você sempre esperaria que não fosse especialmente amado", diz ele.
Nguyen vai ainda mais longe.
“Não eram apenas os nortistas que eram antiamericanos, mas também os sulistas. Quem trabalhava em agências americanas no sul, principalmente mulheres, era muito discriminado. O fato de os americanos estarem estacionados no Vietnã e comandarem o exército sul-vietnamita fez com que todos os vietnamitas odiassem os EUA e desconfiassem de suas ideias”.
Os comunistas tinham mais apoio
Middup acredita que, em geral, as pessoas que escolheram lutar no lado comunista estavam muito mais empenhadas em vencer do que as pessoas que foram convocadas para lutar no lado sul-vietnamita.
"Existem estudos que os EUA fizeram durante a guerra que confirmam um grande número de interrogatórios de prisioneiros comunistas", diz ele.

"Tanto o departamento de defesa dos EUA quanto a corporação Rand (um think-tank associado aos militares dos EUA) produziram esses estudos de motivação e moral que analisam por que os norte-vietnamitas e vietcongues lutaram, e a conclusão a que todos chegaram unanimemente é que eles estavam motivados porque veem o que estão fazendo como patriótico, ou seja, reunificar o país sob um único governo."
A capacidade das forças comunistas de continuar, apesar do enorme número de baixas, talvez também seja uma evidência da força de seu moral.
A liderança dos EUA estava obcecada com a ideia da contagem de corpos - se eles conseguissem matar o inimigo mais rápido do que aquelas tropas pudessem ser substituídas, os comunistas perderiam a vontade de lutar.
Cerca de 1.100.000 combatentes norte-vietnamitas e vietcongues foram mortos durante a guerra, mas os comunistas pareceram capazes de repor seus números até o final da guerra.
O professor Vu não tem certeza se o norte estava com o moral melhor, mas admite que a doutrinação pelas quais as tropas do norte foram submetidas os "armaram".
"Eles conseguiram fazer as pessoas acreditarem na causa. Graças aos sistemas de propaganda e educação, conseguiram transformar as pessoas em balas."
Nguyen não faz menção a doutrinação, mas descreve uma notável percepção de propósito no norte. Todos “estavam determinados a se opor ao exército dos EUA. Aceitamos todas as perdas, dores e até injustiças, acreditando que, com o fim da guerra, tudo ficaria melhor".
Exercício de História
1. Segundo o texto, por que os especialistas afirmam que é difícil avaliar o risco de uma nova guerra mundial?
A) Porque não existem conflitos internacionais atualmente.
B) Porque as grandes potências deixaram de disputar influência.
C) Porque ainda estamos vivendo os acontecimentos e falta distanciamento histórico para analisá-los.
D) Porque todas as guerras do passado tiveram as mesmas causas.
E) Porque os conflitos atuais já foram resolvidos.
2. De acordo com o texto, qual dos conflitos abaixo é citado como um dos principais focos de tensão internacional?
A) Guerra do Vietnã.
B) Guerra das Malvinas.
C) Guerra da Coreia.
D) Guerra na Ucrânia.
E) Guerra do Golfo.
3. Segundo o texto, quais países aparecem como principais rivais dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais na atual conjuntura internacional?
A) Japão e Coreia do Sul.
B) China e Rússia.
C) Índia e Paquistão.
D) França e Alemanha.
E) Canadá e México.
4. Qual acontecimento da Guerra Fria é citado no texto como exemplo de um momento que poderia ter provocado uma guerra de grandes proporções?
A) Queda do Muro de Berlim.
B) Guerra do Vietnã.
C) Crise dos Mísseis de Cuba.
D) Revolução Chinesa.
E) Guerra do Afeganistão.
5. Segundo o texto, qual fator contribui para aumentar as preocupações com a segurança internacional?
A) A redução dos gastos militares mundiais.
B) O fortalecimento exclusivo da ONU.
C) O aumento das despesas militares em diversos países.
D) O fim das disputas territoriais na Ásia.
E) A diminuição das alianças entre as grandes potências.
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