Primeira Guerra Mundial. O que o passado sugere sobre o futuro?

 






Causas da Primeira Guerra Mundial

Paz armada e corrida armamentista

Desde o final do século XIX o mundo vivia em tensão. O extraordinário crescimento industrial possibilitou a Corrida Armamentista, ou seja: a produção de armas numa quantidade jamais imaginada.

Depois da partilha da África na Conferência de Berlim, em 1885, as rivalidades entre as nações imperialistas, a luta pelos mercados e o desejo de ganhar áreas de influência, acentuaram a corrida armamentista.

Nesta época, o Império Alemão decidiu se transformar em potência naval, para complementar sua capacidade militar terrestre.

O expansionismo do Império Alemão e seu rápido crescimento industrial geraram uma enorme desconfiança na Inglaterra, França e Rússia em relação aos alemães.

A ferrovia passou a ser utilizada para auxiliar o Exército e faria a diferença em comparação com as guerras anteriores.

O trem era capaz de se locomover dez vezes mais rápido que um cavalo e transportar maior quantidade de materiais e homens de uma só vez.

Quanto ao Exército, já havia grande mobilização por parte das nações envolvidas. Mesmo em tempos de paz, a Alemanha possuía 880.000 homens, a Áustria-Hungria, 450.000 e a França, 739.000. Todos esses países aumentaram muito o número de soldados mobilizados com o início da guerra, passando da casa dos milhões.

O mais surpreendente era o pequeno número de soldados do Reino Unido, com apenas 247.500 homens.

O Império Russo possuía o maior número de efetivos, porém seu exército era o menos equipado e o mais atrasado tecnologicamente, se comparado aos outros europeus.

No mar, os navios de guerra se aperfeiçoaram. Em 1906, o Reino Unido lança o navio de guerra “Dreadnought” que revolucionaria a Marinha.

Estava equipado com 10 canhões de 305 mm, 27 canhões de 76 mm e 5 tubos de torpedo de 450 mm.

Nacionalismos

Outro aspecto importante para entender o início da Primeira Guerra foram as rivalidades nacionais entre França, Rússia e Reino Unido contra os alemães. Essas tensões se agravaram com as disputas por colônias ocorridas durante a Conferência de Berlim (1884-1885).

O antigermanismo francês se desenvolveu como consequência da Guerra Franco-Prussiana. A derrotada França foi obrigada a entregar aos alemães as regiões de Alsácia e Lorena, área rica em minério de ferro.

A rivalidade russo-germânica foi causada pela pretensão alemã de construir uma estrada de ferro ligando Berlim a Bagdá, conectando a capital alemã a uma região rica em petróleo. No entanto, a estrada passaria por territórios nos quais os russos pretendiam aumentar sua influência.

O antigermanismo inglês se explica pela concorrência industrial alemã. Às vésperas da guerra, os produtos alemães começavam a chegar em mercados que eram dominados pela Inglaterra.

Todas essas questões tornaram o conflito inevitável à medida que acirravam os choques de interesse econômico e político entre as potências industrializadas.

Imperialismo

A Alemanha sentiu-se injustiçada pelas decisões da Conferência de Berlim, já que saiu com territórios coloniais menores que a França e a Inglaterra. Na África, tenta deslocar a França de suas possessões, como o Marrocos, mas não consegue.

Os alemães também compram da Espanha alguns arquipélagos como Carolinas e Palau, no Oceano Pacífico, e conseguem, em 1902, uma concessão de um porto na China.

Enquanto isso, o Império Turco-Otomano perdia parte de seus territórios. Em 1911, a Itália invadiu províncias otomanas no norte da África. Na Europa, durante a Primeira e Segunda Guerras dos Balcãs, Sérvia, Bulgária, Grécia e Montenegro conquistaram zonas do Império Turco-Otomano.

Estopim da Primeira Guerra Mundial

A rede de alianças representava uma grande ameaça para a paz na Europa.

Em 1908, a Áustria anunciou a anexação da Bósnia-Herzegovina, contrariando os interesses sérvios e russos.

A fim de mostrar uma boa relação entre os novos súditos, o herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Ferdinando, fez uma visita à região com sua esposa, em 28 de junho de 1914. Neste dia, um estudante sérvio-bósnio assassinou Francisco Ferdinando e sua esposa, em Sarajevo, capital da Bósnia.

Esse duplo assassinato foi o pretexto para o início da Primeira Guerra Mundial, que durou até 11 de novembro de 1918.

Fases da Primeira Guerra Mundial

Alianças e efeito dominó

A Primeira Guerra, no entanto, foi distinta das demais guerras que ocorriam na Europa Central. A diferença fundamental era o sistema de alianças e a política agressiva dos chefes de Estado.

Durante uma semana, os enfrentamentos permaneceram entre Áustria e Sérvia, mas a Rússia resolveu acudir esta última para reforçar sua posição nos Balcãs.

A Alemanha, então, reage se posicionando a favor da Áustria, declarando guerra à Rússia. Além disso, invadiu Luxemburgo e emitiu um ultimato à Bélgica.

Aliada dos russos, a França inicia a mobilização de tropas contra os alemães e são registrados atritos na fronteira entre os dois países. Isto culminaria na declaração de guerra no dia 3 de agosto de 1914.

Entram na guerra também a Grã-Bretanha, ao lado dos franceses; a Turquia, que apoia a Alemanha, e ataca os portos da Rússia no Mar Negro.

Assim, no início, os países se dividiram em dois lados: Tríplice Aliança Tríplice Entente. No primeiro grupo, também chamado de Potências Centrais, estavam a Alemanha, Áustria-Hungria, Império Turco-Otomano e Bulgária. Do outro lado estavam a Rússia, a França e a Inglaterra.

A Itália, embora fosse aliada da Alemanha e da Áustria-Hungria, não entrou imediatamente no conflito. Mais tarde, mudou de lado e passou a combater ao lado da Entente.

Guerra de movimentos

No começo do conflito, as forças se equilibravam em número de soldados. O poder de fogo dos equipamentos utilizados provocava índices de mortalidade sem precedentes.

Os tanques de guerra, os encouraçados, os submarinos, os obuses de grosso calibre e a aviação, entre outras inovações tecnológicas da época, constituíram artefatos bélicos de grande poder de destruição.

Com artilharia pesada e 78 divisões, os alemães passaram pela Bélgica, violando a neutralidade deste país. Venceram os franceses na fronteira e rumaram para Paris.

O governo francês transferiu-se para Bordeaux e na Batalha de Marne, conteve os alemães, que recuaram.

Guerra de trincheiras

Depois, franceses e alemães firmaram posições cavando trincheiras ao longo de toda a frente ocidental. Protegidos por arame farpado, os exércitos se enterravam nos buracos, onde a lama, o frio, os ratos e o tifo matavam tanto quanto as metralhadoras e canhões. Este momento do conflito é chamado de Guerra de Trincheiras.

Em 1917, os Estados Unidos, que havia se mantido fora da guerra, apesar de emprestar capitais e vender armas aos países da Entente, principalmente à Inglaterra, declaram guerra à Alemanha.

Revolução Russa e a Primeira Guerra

Nesse mesmo ano, a Rússia saiu do conflito, por conta da Revolução de 1917, que derrubou o czar e implantou o regime socialista.

Os russos conseguem negociar o fim das hostilidades com a Alemanha no Tratado de Brest-Litovsk.

Em troca da paz, os russos abriram mão do controle sobre a Polônia, a Bielorrússia, a Finlândia, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) e a Ucrânia.

Estados Unidos entra na Primeira Guerra Mundial

Inicialmente, os Estados Unidos mantinham a neutralidade, apesar de venderem armamentos e suprimentos para a Entente.

Dois fatos foram determinantes para o fim da neutralidade americana. Em primeiro lugar, o reinício da guerra submarina sem restrições por parte da Alemanha em fevereiro de 1917. Depois, a descoberta de um telegrama que propunha uma aliança entre os alemães e o México, em caso deste entrar em guerra com os EUA.

Alertado sobre a possibilidade que o México pudesse atacá-lo, o governo americano entra no conflito ao lado da Entente.

Consequências da Primeira Guerra Mundial

A Grande Guerra deixou profundas consequências para todo o mundo. Podemos destacar:

  • redesenhou o mapa político da Europa e do Oriente Médio;
  • provocou contestações às ideias liberais.;
  • motivou a criação da Liga das Nações;
  • permitiu a ascensão econômica e política dos Estados Unidos.

O conflito envolveu 17 países dos cinco continentes como: Alemanha, Brasil, Áustria-Hungria, Estados Unidos, França, Império Britânico, Império Turco-Otomano, Itália, Japão, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino da Romênia, Reino da Sérvia, Rússia, Austrália e China.

A guerra deixou mais de 10 milhões de soldados mortos e cerca de outros 21 milhões ficaram feridos. Além disso, mais de 6 milhões de civis perderam a vida.

Consequências para a Alemanha

Embora a Alemanha continuasse sofrendo sucessivas derrotas e seus aliados tivessem se rendido, o governo alemão continuava na guerra. Esfomeado e cansado, o povo alemão se revoltou e os soldados e operários forçaram o kaiser (imperador) a abdicar.

Formou-se um governo provisório e foi proclamada a República de Weimar. No dia 11 de novembro de 1918, o novo governo assinou a rendição alemã.

A Primeira Guerra chegava ao fim. Porém, a paz geral só foi firmada em 1919, com a assinatura do Tratado de Versalhes.

Entre os termos do tratado, estava a cessão de regiões do território alemão para as nações fronteiriças.

A Alemanha também perdeu suas colônias africanas e a República de Weimar foi obrigada a aceitar a independência da Áustria. Igualmente, teve que pagar uma indenização de 33 milhões de dólares pelos prejuízos causados pelo conflito.

Os termos foram considerados humilhantes e foram usados para provocar a queda da República de Weimar em 1933, e a posterior consolidação no poder de Adolf Hitler e do nazismo.

Sendo assim, em 1939, pouco mais de 20 anos depois do fim da Primeira Grande Guerra, teve início a Segunda Guerra Mundial.


As reações aos efeitos do tratado estão entre as principais consequências da Primeira Guerra Mundial.

Brasil na Primeira Guerra Mundial

Em abril de 1917, os alemães afundaram no canal da Mancha o navio mercante brasileiro Paraná. Em represália, o Brasil rompe relações com os agressores.

Em outubro, outro navio brasileiro, o Macau, é atacado. No final de 1917, desembarca na Europa uma equipe médica e soldados para auxiliar a Entente.

Mapa mental da Primeira Guerra Mundial

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Linha do tempo da Primeira Guerra Mundial

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Flash cards sobre a Primeira Guerra Mundial

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Quais os fatores que desencadearam as grandes guerras mundiais? E será que corremos o risco de um novo conflito dessa magnitude acontecer em 2025? Essas perguntas veem à mente diante de guerras que persistem, como na Ucrânia e em Gaza, de uma retórica mais belicista de líderes como Vladimir Putin e da atual corrida armamentista em curso na Europa. Neste vídeo, a repórter Julia Braun conversa com especialistas para mostrar os elementos-chave por trás da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. Esses especialistas também avaliam até que ponto esses elementos estão presentes hoje.


O que o passado sugere sobre o futuro?

Mas quais desses fatores estão presentes na conjuntura internacional de hoje — e o que isso significa para o nosso futuro?

Os especialistas consultados pela BBC Brasil concordam que é difícil fazer essa avaliação enquanto ainda estamos vivendo os eventos. Toda a análise feita sobre a 1ª e 2ª guerras só é possível porque existe um distanciamento de tempo.

Mas os historiadores e analistas disseram que muitos dos fatores presentes nesses dois grandes conflitos também podem ser identificados atualmente.

Manifestação para a entrada da Itália na guerra ao lado dos Aliados em 23 de maio de 1915

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Manifestação para a entrada da Itália na guerra ao lado dos Aliados em 23 de maio de 1915

Um dos pontos mais claros é justamente o desenrolar de vários conflitos ao mesmo tempo. Além da guerra na Ucrânia e dos confrontos no Oriente Médio, há cada vez mais disputas territoriais no Mar do Sul da China, além de impasses em torno da independência de Taiwan e do arsenal nuclear da Coreia do Norte.

O Sudão também enfrenta um conflito devastador e regiões como o Sahel e o Chifre da África sofrem com insurgências e conflitos armados.

E em todos esses casos é possível identificar a influência das grandes alianças e potências de hoje.

Uma das divisões mais evidentes é entre os Estados Unidos e seus aliados ocidentais, de um lado, e a China e a Rússia, de outro.

"Essa cooperação mais estreita entre China, Rússia, Coreia do Norte e Irã, que vimos particularmente em referência à guerra na Ucrânia e suprimento de armas, é uma das coisas mais sinistras que eu diria haver nos últimos cinco anos", opina David Stevenson, da London School of Economics.

O historiador identifica ainda o crescimento dos sentimentos nacionalistas e imperialistas, assim como uma tendência a querer alterar o equilíbrio de poder vigente — especialmente por parte da Rússia e seus aliados.

O russo Vladimir Putin e o chinês Xi Jinping, por exemplo, falam constantemente de sua "visão para uma nova ordem mundial" e do "objetivo de formar um mundo mais justo e multipolar".

Também não podemos ignorar o fato de que os gastos com defesa estão subindo há alguns anos. Em 2023, por exemplo, as despesas militares mundiais cresceram 6,8%, alcançando o maior aumento percentual desde 2009.

Palestinos retornam às suas casas após cessar-fogo entre Hamas e Israel

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Palestinos retornam às suas casas após cessar-fogo entre Hamas e Israel

Os analistas apontam, porém, a necessidade de pensar em todos os momentos da história em que muitas dessas características também se formaram e, apesar de tudo apontar para a possibilidade de uma guerra expandida, nada aconteceu.

Na Guerra Fria, por exemplo, além de todos os demais fatores, os historiadores identificam diversos momentos de grande tensão que poderiam ter servido como gatilhos para um conflito armado, mas que felizmente nunca aconteceu.

A crise dos mísseis de Cuba (quando EUA e União Soviética estiveram à beira de um conflito nuclear pela tentativa de instalações de mísseis soviéticos em Cuba, em 1962) é apenas um exemplo de uma situação que poderia ter saído do controle e gerado mais violência.

"É muito difícil avaliar e mensurar a seriedade do risco atual, mas diria que existe um risco plausível", afirmou Richard Caplan, da Universidade de Oxford.

O especialista destaca a situação na Ucrânia como especialmente delicada.

"A maior preocupação é que a Rússia faça com seus outros países vizinhos o que fez com a Ucrânia", diz Caplan, que teme que uma situação como essa possa significar um confronto direto entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — a aliança militar composta por 32 países, incluindo os EUA, Reino Unido, França e Alemanha.

Já o acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel foi recebidas com otimismo — mas também cautela — pela comunidade internacional.

A situação no Oriente Médio segue frágil e os acordos entre as duas partes que interromperam conflitos anteriores foram, em várias ocasiões abalados por desentendimentos e acabaram rompidos.

O cronograma e a complexidade do cessar-fogo atual também indicam que até mesmo um pequeno incidente pode se transformar em uma grande ameaça à paz.

O novo governo dos Estados Unidos, com Donald Trump à frente da Casa Branca, também significa novas incógnitas sobre o futuro das relações internacionais.

A sugestão apresentada pelo republicano de que os Estados Unidos poderiam "assumir o controle" da Faixa de Gaza e tomar "posse" do território, reassentando sua população em outro lugar, foi recebida com surpresa e repúdio.

Segundo analistas, a proposta do presidente Trump poderá sinalizar a maior mudança na política americana para o Oriente Médio das últimas décadas.

Ao mesmo tempo, em seus primeiros dias no cargo, o republicano afirmou que a Rússia enfrentará "altos níveis de taxas, tarifas e sanções" se o presidente Vladimir Putin não acabar com a guerra na Ucrânia.

Trump mantém antipatia expressa pela Otan e, em sua primeira passagem pela Casa Branca colocou em prática fortes políticas pró-Israel. Seu governo também assumiu posição linha-dura em relação ao Irã.

Tudo isso, segundo críticos, pode causar um efeito desestabilizador, especialmente no Oriente Médio


                                                         PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL


                                                         



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