Revisão 2 Filosofia\História
Contrato Social
O contrato social é uma metáfora usada pelos filósofos contratualistas para explicar a relação entre os seres humanos e o Estado.
Esta figura de linguagem foi utilizada especialmente por Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.
Contrato Social segundo Thomas Hobbes

Thomas Hobbes nasceu em 1588 e faleceu em 1679, na Inglaterra. Assim pôde testemunhar as mudanças políticas inglesa durante as revoluções burguesas.
Para Hobbes, os homens precisavam de um Estado forte, pois a ausência de um poder superior resultava na guerra. O ser humano, que é egoísta, se submetia a um poder maior, somente para que pudesse viver em paz e também ter condição de prosperar.
Não por acaso, Hobbes chama o "Estado" de Leviatã, um dos nomes que o diabo recebe na Bíblia, com o propósito de reforçar que é a natureza perversa do homem que o faz buscar a união com outros homens.
O Estado, por sua parte, terá o dever de evitar conflitos entre os seres humanos, velar pela segurança e preservar a propriedade privada.
Desta maneira, somente o rei, que concentra o poder das armas e da religião, poderia garantir que os homens vivessem em harmonia.
Contrato Social segundo John Locke

John Locke nasceu em 1632 e faleceu em 1702, na Inglaterra. Sua vida discorreu no mesmo período da Revolução Inglesa que redefiniu o poder monárquico britânico.
Segundo Locke, o homem vivia num estado natural onde não havia organização política, nem social. Isso restringia sua liberdade e impossibilitava o desenvolvimento de nenhuma ciência ou arte.
O problema é que não existia um juiz, um poder acima dos demais que pudesse fiscalizar se todos estão gozando dos direitos naturais.
Então, para solucionar este vazio de poder, os homens vão concordar, livremente, em se constituir numa sociedade política organizada.
O homem poderá influir diretamente nas decisões políticas da sociedade civil seja através do exercício da democracia direta ou delegando a outra pessoa seu poder de decisão. Este é o caso da democracia representativa, na qual os cidadãos elegem seus representantes.
Por sua parte, o Estado tem como fim zelar pelos direitos dos homens tais quais a vida, a liberdade e a propriedade privada.
Contrato Social segundo J.J. Rousseau

Jean-Jacques Rousseau nasceu na Suíça, em 1712 e faleceu na França, em 1778, onde passou a maior parte de sua vida.
Ao contrário de Hobbes e Locke, Rousseau vai defender que o homem, no seu estado natural, vivia em harmonia e se interessava pelos demais. Para Rousseau, a vida numa sociedade em vias de industrialização não favoreceu os homens no seu aspecto moral.
À medida que o desenvolvimento técnico foi ganhando espaço, o ser humano se tornou egoísta e mesquinho, sem compaixão pelo seu semelhante.
Por sua vez, a sociedade tornou-se corrupta e corrompia o ser humano com suas exigências para suprir a vaidade e o aparentar daquela sociedade.
Desta maneira, Rousseau relaciona o aparecimento da propriedade privada com o surgimento das desigualdades sociais.
Assim era preciso que surgisse o Estado a fim de garantir as liberdades civis e evitar o caos trazido pela propriedade privada.
As ideias de Rousseau serão aproveitadas por vários participantes da Revolução Francesa e também, posteriormente, ao longo de todo século XIX pelos teóricos do socialismo.
Resumo
Abaixo um pequeno quadro resumindo os principais tópicos que vimos neste texto:
| Filósofo | Thomas Hobbes | John Locke | J.J. Rousseau |
|---|---|---|---|
| Natureza Humana | O homem é egoísta. | O homem é bom, mas faz a guerra para se defender. | O homem é bom, porém a propriedade o corrompeu. |
| Criação do Estado | Evitar a destruição mútua. | Proteger a propriedade e assim fazer o homem progredir. | Preservar a liberdade civil e os direitos dos homens. |
Tipo de Governo | Monarquia absoluta, mas sem a justificativa do Direito Divino. | Monarquia parlamentarista, sem a justificativa do Direito Divino. | Democracia direta. |
| Influência | Teria do Direito Moderno | Revolução Inglesa e Constituição Americana | Revolução Francesa Comunismo |
| Citação | "O Homem é o lobo do Homem." | "Onde não há lei, não há liberdade." | "A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável." |
Jean-Paul Sartre
Jean-Paul Sartre foi um filósofo e crítico francês. É considerado um dos maiores pensadores do século XX e representantes da filosofia existencialista, ao lado dos filósofos Albert Camus e Simone de Beauvoir.
A corrente existencialista é pautada na liberdade do ser humano e de acordo com Sartre: “Estamos condenados a ser livres.”

Jean-Paul Charles Aymard Sartre nasceu em Paris, dia 21 de junho de 1905. Era filho de Jean-Baptiste Marie Eymard Sartre e de Anne-Marie Schweitzer.
Existencialismo
O existencialismo foi uma doutrina filosófica e um movimento intelectual surgido na Europa, no final do século XIX, mas ganhou notoriedade no século XX, a partir do desenvolvimento do existencialismo francês.
Está pautado na existência metafísica, donde a liberdade é seu maior mote, refletida nas condições de existência do ser.
Características do existencialismo
O existencialismo sofreu influência da fenomenologia (fenômenos do mundo e da mente), cuja existência precede a essência, sendo dividido em duas vertentes:
- existencialismo ateu: negam a existência de uma natureza humana.
- existencialismo cristão: essência humana corresponde um atributo de Deus.
Para os filósofos existencialistas, a essência humana é construída durante sua vivência, a partir de sua experiência no mundo e de suas escolhas, uma vez que possui liberdade incondicional.
Em outras palavras, a corrente existencialista prega que o ser humano é um ser que possui toda a responsabilidade por meio de suas ações. Assim, ele cria ao longo sua vida um sentido para sua própria existência.
Para os existencialistas, a vida humana é baseada na angústia, no absurdo e na náusea causada pela vida não possuir um sentido para além da própria existência.
A partir da autonomia moral e existencial, fazemos escolhas na vida e traçamos caminhos e planos. Nesse caso, toda escolha implicará numa perda ou em várias, dentre muitas possibilidades que nos são postas.
Assim, para os existencialistas, a liberdade de escolha é o elemento gerador, no qual ninguém e nem nada pode ser responsável pelos encaminhamentos da vida. Os indivíduos são seres "para-si", livres e plenamente responsáveis.
Frases de Sartre
- “O homem deve ser inventado a cada dia.”
- “Eu mudo para continuar o mesmo.”
- “Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.”
- “Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo.”
- “Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem.”
- “Viver é isso: Ficar se equilibrando o tempo todo, entre escolhas e consequências.”
- “Não fazemos o que queremos e, no entanto, somos responsáveis pelo que somos: eis a verdade.”
- “Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão.”
Principais Filósofos Existencialistas
Sören Kierkegaard
Considerado o “Pai do Existencialismo”, Sören Kierkegaard (1813-1855) foi um filósofo dinamarquês. Fez parte da linha do existencialismo cristão, no qual defende, sobretudo, o livre-arbítrio e a irredutibilidade da existência humana.
Da mesma maneira que outros existencialistas, Kierkegaard focou na preocupação pelo indivíduo e pela responsabilidade pessoal. Segundo ele:
Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se.
Martin Heidegger
A partir da obra de Kierkegaard e da crítica à história da filosofia, Heidegger (1889-1976) vai desenvolver a ideia de que o ser humano pode experimentar uma existência autêntica ou inautêntica.
O que determinará esta existência será sua atitude face à morte e as escolhas que tomará diante a finitude de sua vida.
O ser humano não é o senhor dos seres, mas o pastor do ser.
Simone de Beauvoir
Simone de Beauvoir (1908-1986) foi filósofa, escritora, professora e feminista francesa nascida em Paris.
Personalidade ousada e libertária para sua época, Simone cursou filosofia e enveredou pelos caminhos do existencialismo e da defesa da liberdade feminina. Segundo ela:
Não se nasce mulher: torna-se.
Essa frase corrobora sua tendência existencialista, cuja existência precede a essência, essa última sendo algo que se constrói durante a vida.
Em sua obra fundamental, o livro O Segundo Sexo (1949), a filósofa desenvolve as bases do pensamento feminista do século XX. Ela critica o pensamento tradicional que associa o ser humano ao masculino, relegando à mulher um papel de subalternidade, como seres humanos de segunda classe.
Albert Camus
Filósofo e romancista argelino, Camus (1913-1960) foi um dos principais pensadores do “absurdismo”, uma das ramificações teóricas do existencialismo. Foi amigo de Sartre com quem discutiu muito sobre os aspectos e a essência do ser.
Em seu ensaio filosófico “Mito de Sísifo” (1941) aborda sobre os diversos absurdos da vida, segundo ele.
Como deve viver o homem absurdo? Claramente, não se aplicam regras éticas, como todas elas são baseadas em poderes sobre justificação.
“Integridade não tem necessidade de regras”.
“"Tudo é permitido" não é uma explosão de alívio ou de alegria, mas sim, um amargo reconhecimento de um fato.”
Albert Camus ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1957.
Merleau-Ponty
Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) foi filósofo e professor francês. Fenomenólogo existencialista, junto a Sartre, fundou a revista filosófica e política “Os Tempos Modernos”.
Centrou sua filosofia na existência humana e no conhecimento. Para ele,
A Filosofia é um despertar para ver e mudar o nosso mundo.
Karl Jaspers
Filósofo existencialista, professor e psiquiatra alemão, Karl Theodor Jaspers (1883-1969), acreditava na fusão entre a fé filosófica e a crença religiosa.
De acordo com ele, a fé é a expressão máxima da liberdade humana, sendo o único caminho que leva à certeza existencial e à transcendência do ser.
A filosofia busca tornar a existência transparente a ela mesma.
Filosofia Moderna
Nicolau Maquiavel
Nicolau Maquiavel foi um importante filósofo, teórico, pensador político, historiador, diplomata, músico e escritor do Renascimento.
Considerado o "Pai do Pensamento Político Moderno", nasceu em Florença, Itália, no dia 03 de maio de 1469. Pertencente a uma família pobre, Nicolau desde cedo aprendeu línguas e foi estimulado nos estudos.

Em 1498, com 29 anos, entra para a política, exercendo o cargo de "Secretário da Segunda Chancelaria".
Teve uma vasta carreira política, o qual ocupou alguns cargos, sendo, muitas vezes, indicado para realizar missões diplomáticas.
Defensor dos ideais republicanos, sua teoria estava pautada nos princípios morais e éticos para a Política. Foi o primeiro a separar a política da ética com o intuito de estudar a cultura política como ela é realmente e não como ela deveria ser.
Ademais, seus estudos estão baseados nos conceitos: união da teoria e da prática; empirismo e método indutivo; Estados imaginários Perfeitos e imutabilidade da natureza humana.
A partir disso, em 1520, Maquiavel recebe o título de mais importante historiador de Florença. Em 1527, com a queda dos Médici, foi considerado um tirano e morre no dia 21 de junho de 1527.
Sua obra que mais se destaca é "O Príncipe", escrita em 1513, publicada postumamente em 1532, no qual propõe a unificação da Itália por meio da figura de um Príncipe.
Maquiavel, foi um importante teórico do Renascimento e escreveu sobre política, ética, natureza humana, além de peças de teatro e contos.
Obras:
- Decenal (1506);
- Relatos sobre os Fatos na Alemanha (1508);
- Retrato das coisas da França (1510);
- Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio (1513 a 1521);
- A arte da Guerra (1517 e 1520);
- A Mandrágora (1518)
Michel Foucault

Michel Foucault (1926-1984) foi um filósofo francês contemporâneo que se dedicou à reflexão entre poder e conhecimento.
Crítico, Foucault foi um ativista que se envolveu em campanhas contra o racismo e pela reforma do sistema penitenciário.
Estudou vários problemas sociais, como o sistema penitenciário, a instituição escolar, a psiquiatria e a psicanálise praticadas de forma tradicional e a sexualidade.
Em todos, sua abordagem principal foi as relações de poder exercidas por essas instituições contra os que ali se encontravam, mais especificamente o conceito "Microfísica do poder"
Michel Foucalt nasceu no dia 15 de outubro de 1926 em Poitiers, na França, no seio de uma família de médicos.
Principais ideias e pensamentos que defendia
Segundo Foucault, a sociedade faz uso abusivo do poder através das instituições, escolas e prisões, por exemplo.
A era moderna é definida através da disciplina, que nada mais é do que um meio de dominação cujo objetivo é domesticar o comportamento humano.
Quanto à educação, Foucault chama a escola uma das “instituições de sequestro”. Segundo ele, a escola tira os alunos do seu meio para os enclausurar e, nessa clausura, domesticá-los da forma como a sociedade quer.
Antes, a escola era um local de castigo. Com a era moderna, passa a ser um local de domesticação, modelo que também é seguido no sistema prisional.
Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo." (Michel Foucault)
Gilberto Freyre
Gilberto de Mello Freyre (1900- 1987) foi um sociólogo, antropólogo, deputado e professor universitário brasileiro.
Sua obra mais conhecida é "Casa-Grande & Senzala" na qual usou novas fontes para compreender a formação do Brasil.
Estudou em colégios americanos e quando terminou sua formação, partiu para os Estados Unidos onde se matricularia na Universidade de Baylor, Texas e anos mais tarde, em Columbia.

Casa-Grande & Senzala
A obra "Casa-Grande & Senzala" foi publicada em 1933 após Freyre já ter estudado e escrito vários ensaios sobre o período colonial do Brasil.
Este livro é o primeiro de uma trilogia que se completa com "Sobrados & Mucambos", de 1936, sobre a sociedade no Brasil Império. Por último, "Ordem & Progresso", de 1957, discute a sociedade brasileira durante a República. Havia um quarto livro planejado, "Jazigos & Covas-rasas", mas as anotações foram roubadas e se perderam.
"Casa-Grande & Senzala" trouxe novas abordagens para entender a formação do Brasil. Cultura, religiosidade, culinária, hábitos de higiene, sexualidade foram alguns temas destrinchados pelo estudioso pernambucano.
Uma das teses da obra é que a mestiçagem das raças criou uma sociedade original. Através do contato de negros, índio e brancos, o brasileiro seria a síntese cultural e mestiça dessas raças. O que não quer dizer que esta formação se tenha dada de maneira pacífica, pois Freyre destaca a violência da escravidão.
Democracia racial
Gilberto Freyre foi criticado por defender a democracia racial no Brasil. Esta tese afirmava que os negros e índios não eram discriminados na sociedade brasileira.
Na verdade, essa expressão nunca foi utilizada por Freyre. Ele defendia a mestiçagem e a maneira de ser do português católico em contraponto com o protestante inglês. Esta mistura de raças será decisiva para construir uma sociedade diferente daquela existente dos países anglo-saxônicos.
A obra do sociólogo Florestan Fernandes, publicada da década de 50, desmontaria este conceito tão arraigado no pensamento brasileiro.
Karl Marx

Retrato de Karl Marx
Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818, na cidade Treviris, na Alemanha, no meio de uma família acomodada.
Crítica ao Capitalismo
Para Marx, as condições econômicas e a luta de classes são agentes transformadores da sociedade.
A classe dominante nunca deseja que a situação mude, pois se encontra em uma situação muito confortável. Já os desfavorecidos têm que brigar pelos seus direitos e esta luta é que moveria a História, segundo Marx.
Marx pensava que o triunfo do proletariado faria surgir uma sociedade sem classes. Isto seria alcançado pela união da classe trabalhadora organizada em torno de um partido revolucionário.
Também apontou para a “mais valia” quando explica que o lucro do patrão é obtido a partir da exploração da mão de obra do trabalhador.
Socialismo científico
Ao elaborar uma teoria sobre as desigualdades sociais e propor uma forma para superá-las, Marx criou o que se denominou "socialismo científico".
Contra a ordem capitalista e a sociedade burguesa, Marx considerava inevitável a ação política do operariado, a revolução socialista, que faria surgir uma nova sociedade.
Influência do Marxismo
As teorias de Karl Marx influenciaram a Revolução Russa de 1917, além de teóricos e políticos, entre eles Lênin, Stalin, Trótski, Rosa Luxemburgo, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, etc.
Cada um deles entendia a teoria marxista e a buscava adaptá-lo à sua realidade específica. Assim, temos o “marxismo-lenismo”, na União Soviética ou “socialismo moreno”, na América Latina. Vários foram os governos que se proclamaram socialistas como a URSS, Cuba, Coreia do Norte, entre muitos outros.
Frases de Marx
- "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".
- "A produção econômica e a organização social que dela resulta, necessariamente para cada época da história, constituem a base da história política e intelectual dessa época".
- "A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes".
- "Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado"
Período Colonial
O período colonial (1500-1822) é a fase da História do Brasil entre a chegada dos portugueses até a Independência do Brasil. Cabe dizer que alguns historiadores preferem a delimitação entre 1530 (ano da chegada da primeira expedição colonizadora, chefiada por Martim Afonso de Souza) e 1815 (ano da elevação do Brasil à categoria de Reino Unido).
Este período é marcado pelo domínio e administração da Coroa Portuguesa (metrópole) sobre o território do Brasil (colônia).
A economia estava baseada no Pacto Colonial, conjunto de práticas características do sistema Mercantilista, que previa uma série de obrigações e restrições à colônia, para garantir o máximo de lucro à metrópole.
A política também estava subordinada aos interesses da Coroa, que detinha o poder de nomear todas as autoridades coloniais e de tomar qualquer decisão referente à dominação do território.
Contudo, esse processo não impediu o surgimento de elites locais, que possuíam seus próprios interesses, que nem sempre coincidiam com os da metrópole
Nesse contexto, havia focos constantes de tensão que frequentemente explodiram em forma de revoltas. As revoltas se tornaram mais frequentes a partir do final do século XVII, em decorrência da diversificação da economia colonial e do aumento do controle da metrópole.
Revoltas coloniais no Brasil:
Durante o período de dominação colonial portuguesa inúmeras revoltas ocorreram no território brasileiro. Essas rebeliões demonstraram uma série de descontentamentos dos colonos em relação a Portugal.
As principais revoltas coloniais foram:
- Revolta de Beckman (1684)
- Guerra dos Emboadas (1707 - 1709)
- Guerra dos Mascates (1710 - 1711)
- Revolta de Vila Rica (1720)
- Inconfidência Mineira (1789)
- Conjuração Baiana (1798)

Principais revoltas nativistas
Revolta dos Beckman (1684)
Ocorrida na Capitania do Maranhão, foi causada pelo descontentamento dos colonos com os preços praticados pela Companhia de Comércio do Maranhão e pela restrição à escravização dos indígenas, imposta pelos jesuítas. A Companhia de Comércio do Maranhão era o órgão que detinha o monopólio comercial da região.
Os revoltosos tomaram a cidade de São Luís e seus líderes (Jorge Sampaio e os irmãos Manuel e Thomas Beckman) governaram o Maranhão por cerca de um ano, até serem retirados do poder pelas tropas portuguesas. As lideranças do movimento foram condenadas à forca ou à prisão.
Estude mais sobre a Revolta dos Beckman.
Guerra dos Emboabas (1707 - 1709)
Disputa armada pelo controle das minas de ouro recém-descobertas entre os bandeirantes paulistas e os "emboabas", nome dado pelos paulistas aos exploradores vindos de outras regiões.
Eles também disputavam as terras, o fornecimento de alimentos e a administração das vilas. O conflito teve como resultado a derrota dos paulistas e a criação da Capitania de São Paulo e Minas Gerais.
Aprofunde os seus estudos sobre a Guerra dos Emboadas.
Guerra dos Mascates (1710 - 1711)
Conflito na Capitania de Pernambuco entre a elite local de Olinda, formada por senhores de engenho em crise devido à queda do preço do açúcar, e por comerciantes de Recife, chamados pejorativamente de "mascates".
Os grupos disputavam o domínio administrativo da região. Ao fim do conflito, Recife, antes um povoado subordinado à Olinda, passou à categoria de vila e centro administrativo da capitania.
Revolta de Vila Rica (1720)
Também chamada de Revolta de Filipe dos Santos (seu principal líder), ocorreu na região de Minas Gerais, em oposição à criação das Casas de Fundição. As Casas de Fundição eram os locais onde se cobrava o quinto, imposto da Coroa sobre todo ouro extraído.
Os mineradores se revoltaram contra a medida, mas foram duramente reprimidos. Felipe dos Santos foi enforcado e esquartejado
Revoltas separatistas
Inconfidência Mineira (1789)
A produção de ouro estava em queda devido ao esgotamento das jazidas, porém, a Coroa Portuguesa julgava que a baixa arrecadação era decorrente de contrabando. Assim, ameaçou a cobrança da chamada derrama, imposto pago por cada indivíduo até completar a quantidade devida naquele ano.
Influenciados pelos ideais iluministas, os "inconfidentes" se uniram para fundar uma república, cuja sede seria a vila de São João del-Rei. O nome "inconfidentes" foi atribuído aos participantes do movimento, que era formado em maior parte por membros da elite.
A rebelião não chegou a acontecer, pois foi denunciada por alguns dos membros do próprio grupo, em troca da anulação de suas dívidas. Os demais participantes foram presos e alguns foram condenados ao desterro às colônias africanas.
A principal punição coube a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, condenado à morte na forca e esquartejamento no Rio de Janeiro, então capital do Brasil.
Conjuração Baiana (1798)
Diferentemente de outras revoltas coloniais, teve forte caráter popular. Também conhecida como Revolta dos Alfaiates, pois teve como principais líderes os alfaiates João de Deus e Manuel Faustino dos Santos Lira, além dos soldados Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas.
Foi resultante do declínio econômico da região, da difusão das ideias iluministas e influenciada pela Revolução Haitiana. Tinha como objetivos a criação de uma república livre de Portugal, o fim da escravidão, a liberdade de comércio e o aumento do pagamento dos soldados.
Suas ideias foram divulgadas por meio de cartazes espalhados pela cidade, convocando a população a se rebelar. Denunciados, os participantes foram presos e os líderes condenados à forca e ao esquartejamento.
Idade Média
A Idade Média foi um período da história que se estendeu do século V ao século XV.
Ela começou com a Queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e se encerrou com a Tomada de Constantinopla pelos turcos-otomanos, em 1453.
Ela é divida em dois períodos: a Alta Idade Média (séc. V - X) e a Baixa Idade Média (séc. XI - XV).
Foi também nesse período que surgiu e se consolidou o feudalismo, a Igreja Católica se fortaleceu, novas técnicas agrícolas surgiram e eventos como a Peste Negra e as Cruzadas ocorreram
Características da Alta Idade Média
A Alta Idade Média foi um período de instabilidade e insegurança generalizada, que se estendeu do século V ao século X. Nesse período destacaram-se:
- Os Reinos Germânicos – os germânicos eram povos estabelecidos ao longo das fronteiras do Império Romano. Os romanos os chamavam de "bárbaros", por serem estrangeiros e não falarem o latim. Os germanos formaram vários Reinos Germânicos no território romano;
- O Reino Cristão dos Francos – o reino dos francos constituiu o reino mais poderoso da Europa Ocidental;
- A Igreja e o Sacro Império – A Igreja Católica Medieval teve importante papel na sociedade. Foi nessa época que começou a organizar-se, visando zelar pela homogeneidade dos princípios da religião cristã e promover a conversão dos pagãos.
- O Sistema Feudal – o feudalismo começou a se formar no século V, na Europa Ocidental, com a crise do Império Romano.
- O Império Bizantino – estabelecido em Constantinopla, o Império Bizantino sobreviveu a invasões bárbaras e perdurou por todo o período medieval.
- Os Árabes e o Islamismo – no Oriente Médio, na península arábica, nasceu em 630 o Islão, como resultado das Guerras Santas empreendidas por Maomé. Lentamente, o Islamismo se expandiu por um extenso território, conquistando terras da Ásia, África e Europa.
Características da Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média é o período que vai do século XI ao século XV. Destacaram-se nessa época:
- Crise do feudalismo.
- As cruzadas e a expansão das sociedades cristãs.
- O ressurgimento urbano na Europa.
- O renascimento comercial europeu.
- A formação das monarquias nacionais europeias.
- A cultura medieval.
- Peste Negra.
Durante a Baixa Idade Média, com a expansão dos turcos-otomanos no século XIV, tomando os Bálcãs e a Ásia Menor, o Império Bizantino acabou reduzido à cidade de Constantinopla.
A Queda, em 1453, foi um fato histórico que marcou o fim da Idade Média na Europa. A conquista da capital bizantina pelo Império Otomano sob o comando do sultão Maomé II, marcou o fim do Império Romano no Ocidente
A Idade Moderna iniciou-se com a Queda de Constantinopla, em 1453 e se encerrou com a Revolução Francesa, em 1789.
Caracterizou-se por uma fase de grandes transformações, revoluções e mudanças na mentalidade ocidental, mudanças essas de ordem econômica, científica, social e religiosa, que balizaram o sistema capitalista.
Diversos eventos ocorreram nesse período e estão vinculados com uma mudança no modo de se pensar e agir do ser humano, que passa por um enfraquecimento da Igreja Católica e boa parte de seus ideais, por consequência.
Principais eventos da Idade Moderna
- As Grandes Navegações: buscando novos mercados consumidores e também procurando novas terras por conta da chegada ao Continente Americano, os europeus lançaram-se ao mar, dominando novas regiões e expandindo suas fronteiras.
- Renascimento: movimento cultural com forte presença na Península Itálica, o Renascimento trouxe um novo modo e agir e pensar para a Europa, colocando o ser humano como ponto central do pensamento do próprio ser humano, e não mais Deus.
- Reforma Religiosa: o enfraquecimento da Igreja Católica passou pela criação de novas vertentes do cristianismo, quebrando a unidade cristã na Europa ocidental.
- Absolutismo: a partir desse momento, os reis passaram a centralizar o poder na Europa, ganhando mais importância que a própria Igreja.
- Iluminismo: corrente de pensamento que valorizou o pensamento científico e o uso da razão para responder questões do dia a dia.
- Revolução Francesa: movimento revolucionário que procurou dar um fim no absolutismo monárquico francês, baseado em ideais iluministas.
Economia na Idade Moderna
Após o desenvolvimento comercial a partir do século XV, o aumento da população, o crescimento das cidades e desenvolvimento das manufaturas, foi natural a superação da Idade Média.
Assim, foi se estruturando um sistema comercial que está no cerne do Capitalismo: o Mercantilismo.
Todas as colônias no ultramar possuíam o "exclusivo comercial", um rígido sistema de monopólio estruturado principalmente pela obrigatoriedade das rotas comerciais passarem pela metrópole.
Essa expansão marítima irá, de fato, restabelecer os alicerces econômicos da Europa.
A rigor, os mecanismos econômicos mais usuais foram a prática do "Metalismo", onde a avaliação da riqueza de um reino baseada na quantidade de metais preciosos que este detinha.
Os "Pactos Coloniais", que determinavam as relações entre a metrópole e a colônia.
Os "Monopólios Comerciais", segundo os quais o rei definia os seus privilegiados e suas áreas.
E por fim, a Política de "Balanças Comerciais Favoráveis", segundo a qual era preciso exportar mais do que importar.
Política na Idade Moderna
Em termos políticos, devemos ressaltar que Absolutismo era forma de governo estabelecida. Nele, as palavras do Rei valiam enquanto lei e sua vontade e desejo eram uma ordem.
Essa forma de dominação era fundamentada pelas teorias de "predestinação divina", que apontavam o rei como eleito de Deus e textos laicos, como o de Nicolau Maquiavel, autor de “O Príncipe”.
Nessa obra, ele demonstra formas de governo aos príncipes para que eles pudessem manter-se soberanos no seu respectivos reinos.
Vale lembrar que em aproximadamente quatro séculos, os monarcas europeus observaram seu poder ruir por meio de várias revoluções liberais, até que a Revolução Francesa inicia o processo que derrubará definitivamente o Antigo Regime.
Sociedade na Idade Moderna
No tocante à Sociedade, esse foi um período caracterizado por significativas transformações e avanços tecnológicos que possibilitaram a globalização iniciada na Idade Moderna.
Podemos citar as "Grandes Navegações", que possibilitou, graças a descobertas e avanços já referidos, tal como o aperfeiçoamento do astrolábio e da bússola, de barcos mais resistentes para viagens marítimas e, mais adiante, do advento das máquinas a vapor.
Essas transformações possibilitaram um intenso acúmulo de capitais que permitiram ao continente europeu lançar-se na frente pela conquista.
Vale citar ainda que, o século XVIII também ficou marcado como sendo o ápice do espírito investigativo dos cientistas e filósofos iluministas, os quais, para além de inventar diversas máquinas, criarão muitas teorias sociais e científicas.
Além do "Iluminismo", a "Reforma Religiosa", liderada por Martinho Lutero, também fora uma grande revolução social, dando um duro golpe contra igreja católica, a qual reagiu com a Contrarreforma, um movimento para debelar o progresso da reforma religiosa.
Destarte, temos que destacar que os movimentos sociais como o Renascimento comercial e artístico, o Iluminismo e a Reforma Protestante mudaram o imaginário social daquele período e suas transformações são sentidas até os dias de hoje.
Reforma e Contrarreforma
Reforma Protestante é o nome dado ao período histórico quando surgiram, a partir do rompimento com a Igreja Católica, várias igrejas cristãs como a luterana, anglicana, calvinista, entre outras.
Por sua parte, a Contrarreforma é o conjunto de medidas que a Igreja Católica tomou para conter o avanço do protestantismo. O termo, porém, está caindo em desuso e atualmente se prefere a expressão “Reforma Católica”
Resumo sobre a Reforma Protestante
A Reforma Protestante foi iniciada por Martinho Lutero (1483-1546), teólogo que criticava certas práticas da Igreja como a venda de indulgências.
Revoltado, Lutero escreveu em documento que passaria à história com o nome de “95 teses” para que seus alunos debaterem em aula. Ali, questionava o poder do Papa e a eficácia das indulgências.
Inicialmente, a Igreja Católica tratou da questão como se fosse mais uma discussão teológica entre universitários. No entanto, graças à difusão da imprensa, as ideias de Lutero circularam rapidamente.
Por isso, em 1520, o papa Leão X exigiu a retratação de Lutero, que se negou a fazê-lo. No ano seguinte, o imperador Carlos V convocou a "Dieta de Worms", uma reunião de príncipes germânicos que considerou o monge como herege.
Embora perseguido por suas ideias, parte da nobreza alemã começou a simpatizar com Lutero. Tratava-se de pessoas que também queriam a renovação da Igreja Católica.
No entanto, o imperador Carlos V não admitia a dissidência em seus domínios e começou a empreender guerras contra aqueles que apoiassem os luteranos. Os conflitos só terminaram em 1555, pela "Paz de Augsburgo". Este acordo determinava que cada governante dentro do Sacro Império poderia escolher sua religião e a de seus súditos.
Expansão da Reforma Protestante
Da Alemanha, as ideias luteranas chegaram à França, Países Baixos, Inglaterra e Países Escandinavos.
Nestes países foi decisiva a influência do francês Jean Calvino. Pertencente à burguesia e influenciado pelo Humanismo e pelas teses luteranas, Calvino converteu-se em ardente defensor das novas ideias.
Perseguido pela Igreja e pelo governo na França, Calvino se refugia em Genebra, Suíça, onde suas ideias terão grande acolhida.
Já na Inglaterra, o rei Henrique VIII, precisava de um herdeiro masculino para garantir o trono. Como a Igreja Católica não reconhece o divórcio, o soberano inglês rompeu com Roma, para poder casar-se novamente.
As consequências do seu gesto provocaram um terremoto político no país. De um momento a outro, os católicos se viram privados das suas igrejas e os religiosos de seus mosteiros, iniciando assim a perseguição religiosa.
Contrarreforma ou a Reforma Católica
A Contrarreforma ou a Reforma Católica é o conjunto de ações que a Igreja Católica tomou para se renovar.
Com as mudanças provocadas na transição da Idade Média para a Idade Moderna, os católicos desejavam uma espiritualidade mais interior e uma igreja menos corrupta.
As ideias humanistas e cientificistas, criticavam modo de vida de parte do clero e questionavam os dogmas cristãos. Isto exigia uma resposta da Igreja Católica.
Desta maneira, surgem pensadores como Erasmo de Roterdã, Juan de la Cruz, Tereza d'Ávila, Inácio de Loyola, Vicente de Paulo, entre outros, que defendem uma igreja voltada aos mais necessitados e não ao poder.
Como resultado haverá uma grande reforma nas ordens religiosas contemplativas e a criação de congregações, como os jesuítas e vicentinos, voltados para a educação e acolhimento dos pobres.
Concílio de Trento
O Concílio de Trento foi a resposta que o catolicismo deu à Reforma Protestante.
Realizado em 25 sessões plenárias, na cidade de Trento, a Igreja Católica reafirmou sua doutrina, mas também adotou grandes mudanças que influenciaram nos séculos seguintes.
Manteve-se a exclusividade da Igreja interpretar as Escrituras, se reafirmou a doutrina da transubstanciação; dos sete sacramentos, a doutrina da graça e do pecado original. Confirmou o celibato clerical e o culto dos santos, das relíquias e das imagens.
Em relação ao clero, foram criados os seminários, se estabeleceu a obrigação dos bispos de morarem nas suas dioceses, se proibiu a venda de cargos eclesiásticos e se tomou medidas para evitar a comercialização de indulgências.
Consequências da Reforma Protestante
A Reforma Protestante modificou a religião cristã e a política europeia.
Importante ressaltar que a intolerância e a perseguição religiosa ocorreu tanto nos países de maioria católica quanto nos países protestantes.
No campo político, onde a Reforma Protestante triunfou, o Estado passou a ter uma influência na Igreja, podendo interferir no seu funcionamento. Em alguns casos, como na Inglaterra ou na Suécia, os monarcas passaram a ser também os chefes da Igreja nacional.
Por sua parte, a Igreja Católica passou por uma transformação. Deu-se mais atenção à formação e à moralidade do clero, ao ensino da doutrina e valorização da vida religiosa voltada para a educação e ao cuidado dos enfermos.
Revisão 2 - Filosofia\História
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