Hegel
Hegel (resumo) | FILOSOFIA | Conceito Ilustrado
O idealismo é uma corrente filosófica que defende que a existência das coisas no mundo depende das ideias presentes no espírito humano.
Para os filósofos idealistas, a realidade é conhecida por meio dessas ideias. Ou seja, o contato dos seres humanos com o mundo é mediado pelas ideias. Já os objetos possuem algo que vai além de sua aparência ou da forma como eles são percebidos.
Assim, para o idealismo, o mundo exterior (tudo o que existe fora de nós) depende do "eu", também chamado de sujeito ou consciência.
Idealismo Platônico
A teoria das ideias de Platão, inaugura o idealismo a partir da separação entre o mundo sensível e o mundo ideal. Para ele, tudo aquilo que pode ser percebido através dos sentidos não passa de uma imitação de uma ideia.
Na alegoria da caverna, Platão afirma que os sentidos são falhos e conduzem os seres humanos a uma vida de ignorância, presa às aparências, representadas pelas sombras projetadas no fundo da caverna.
Para ele, o verdadeiro conhecimento estaria no uso da razão, a única ferramenta para alcançar o conhecimento verdadeiro, o conhecimento das ideias.
Idealismo Alemão
A abordagem filosófica do idealismo na Alemanha é retomada por Immanuel Kant (1724 - 1804). Começa na década de 80 do século XVIII e se estende até a primeira metade do século XIX.
Para Kant, os limites da razão humana impedem que se conheça as coisas como elas realmente são, a coisa-em-si, mas apenas se pode conceber a forma como essas coisas se manifestam no mundo, o modo como elas nos aparecem e como as interpretamos.
O idealismo kantiano é uma tentativa de união entre duas correntes contrárias: o racionalismo e o empirismo.
A partir do século XIX, o idealismo alemão é abordado por um grupo de filósofos denominados pós-kantianos. Eram Johann Gottlieb Fichte (1762 - 1814), Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (1775 - 1854) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 - 1831).
Na doutrina idealista alemã, abandona-se a "coisa-em-si" kantiana e o poder da razão é reforçado para mostrar a realidade como algo absoluto e objeto de reflexão.
Idealismo Transcendental
O idealismo transcendental de Kant é fundamentado no fato de o conhecimento não resultar de uma experiência neutra.
Kant afirma que a "coisa-em-si" é incognoscível (não pode ser conhecida) e o que se pode conhecer são as suas representações no mundo.
O idealismo de Hegel é compreendido como idealismo absoluto. O pensador afirma que a transformação da razão e de seus conteúdos é movida pela própria razão.
Para Hegel, o mundo é uma ideia, assim como tudo que nele existe.
Materialismo
É uma corrente filosófica que defende a existência somente por meio daquilo que se manifesta materialmente. Nessa linha de pensamento, a existência só pode ser explicada na perspectiva material.
O materialismo afirma que as relações de causa e efeito (relações de causalidade) existem apenas na matéria e não nas ideias, como defende o idealismo.
O idealismo de Hegel é compreendido como idealismo absoluto. O pensador afirma que a transformação da razão e de seus conteúdos é movida pela própria razão.
Para Hegel, o mundo é uma ideia, assim como tudo que nele existe.
Biografia
Hegel nasceu em 27 de agosto de 1770, em Stuttgart, na Alemanha. Era o mais velho de três irmãos, filhos de um funcionário público do ducado de Württemberg. Fez seus estudos em casa com tutores e a mãe, mas também no colégio local, onde permaneceu até os 17 anos.
Aprendeu latim com a mãe, além de estudar grego, francês e inglês e muito cedo teve contato com os clássicos gregos e romanos. Apesar de sua sólida educação humanista, Hegel teve uma ótima formação científica. Perdeu a mãe aos 13 anos, e ficou aos cuidados de uma irmã, Cristiana.
Com incentivo do pai, em 1788, ingressou no seminário da Universidade Tübingen a fim de ser pastor. Entre seus companheiros estavam o filósofo Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (1775- 1854) e o poeta Friedrich Hölderlin (1770 - 1843).
Quando Hegel tinha 18 anos, ocorre a Queda da Bastilha, e mais tarde os eventos que comporiam a Revolução Francesa. Entre as consequências do fato histórico está a posterior invasão da Prússia pelo exército francês.
A essa altura, a Alemanha não estava organizada como Estado unificado sendo conglomerado de ducados, principados e condados
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830) foi um filósofo alemão idealista que abriu novos campos de estudo na História, Direito, Arte, entre outros, através dos seus postulamentos e da lógica dialética.
O pensamento de Hegel influenciou pensadores como Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer, Friedrich Engels e Karl Marx.
Em 1793, começa a atuar como tutor privado em Berna, na Suíça. No ano seguinte, aconselhado por Hölderlin, começa a análise dos escritos de Immanuel Kant (1724-1804) e Johann Fichte (1762-1814).
Em conjunto com Schelling, Hegel escreveu "O Mais Antigo Programa de um Sistema de Idealismo Alemão". Entre as ideias da obra está a de que o Estado é puramente mecânico.
Por isso é necessário transcender o Estado e os homens livres devem ser tratados como parte da engrenagem que permite seu funcionamento.
Hegel deixa a tutoria em 1779, e passa a viver da herança paterna. A partir de 1801, Hegel vai trabalhar na Universidade de Jena, onde permanece até 1803, em companhia de Schelling.
No período em que deu aulas em Jena, Hegel esgotou o legado deixado pelo pai e passou a trabalhar no jornal de orientação católica Bamberger Zeitung, em Nuremberg. Nessa fase da vida, se casa, tem três filhos e continua os estudos da Fenomenologia.
Enquanto viveu em Nuremberg, Hegel publicou vários fascículos de a "Ciência da Lógica" nos anos de 1812, 1813 e 1816. A partir de 1816, o filósofo aceita ser professor de filosofia na Universidade de Heidelberg.
Morre em Berlim, em 14 de novembro de 1831, vítima de uma epidemia de cólera.
Filosofia
A filosofia de Hegel pode ser compreendida através de sua obra principal “A Fenomenologia do Espírito”, escrita em 1807.
Trata-se de uma introdução ao sistema lógico criado por Hegel que compreende três partes: a Lógica, Filosofia da Natureza e a Filosofia do Espírito.
Este livro pretende superar a dualidade entre o sujeito cognoscente e o sujeito cognitivo e assim aproximá-lo do Absoluto, da Ideia Absoluta, da Verdade.
Para chegar ao Absoluto, o homem precisa questionar suas certezas e neste caminho de dúvidas, estará pronto para pensar filosoficamente e então, conhecer o Absoluto.
O Absoluto age através do homem e se manifesta no desejo que este tem de conhecer a verdade. Desta forma, quanto mais o sujeito se conhece, mais está perto do Absoluto.
Para Hegel tudo aquilo que pode ser pensado é real e tudo que é real pode ser pensado. Não existiria, a priori, limite para o conhecimento, na medida em que a racionalização pode ser realizada através do sistema dialético.
Dialética
A dialética é um conceito filosófico que é utilizado por vários pensadores. A dialética de Platão, por exemplo, seria uma forma de diálogo onde era possível chegar a obter o conhecimento.
Hegel aponta que toda ideia – tesis – pode ser contestada através de uma ideia contrária, a antítese.
Essa disputa entre a tesis e antítese seriam a dialética. Assim, o processo é regido por uma lógica dialética. No entanto, longe de prejudicar a tesis, a discussão entre duas ideias opostas dariam origem a síntese que seria uma ideia aperfeiçoada.
O método dialético proposto por Hegel inclui a noção de movimento, processo ou progresso para chegar ao resultado do conflito de opostos.
Estas ideias seriam aproveitadas por filósofos posteriores como Karl Marx e Friedrich Engels.
Hegel x Marx
Se para Hegel o que faz movimentar o mundo são as ideias, Marx vai afirmar que será a luta de classe e as relações de produção.
Isto porque Marx era um filósofo materialista que levava em conta as condições materiais da vida humana, da sobrevivência do dia a dia.
Assim, a História seria movida pela ação daqueles que não detém os meios de produção em chegar a uma posição mais elevada.
De certa maneira, podemos afirmar que a dialética de Hegel ficava no plano das ideias e do irrealizável. Enquanto Marx, buscava adaptar a dialética para o mundo real.
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