Como você é induzido a comprar o que não precisa | DW Brasil.
Grandes companhias estão investindo em pesquisas no cérebro humano para entender melhor o que querem os consumidores e influenciá-los a comprar cada vez mais.
A sociedade do consumo, como aponta Marilena Chauí, não é apenas uma forma de organizar a economia, mas uma lógica totalitária que age profundamente dentro do nosso inconsciente.
Ela transforma desejos em mercadorias, molda nossas aspirações e tenta apagar nossa autonomia crítica.
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"O que é consumismo?
As definições oficiais associam a palavra consumismo ao ato de comprar, ressaltando a especialidade da ausência de necessidade por parte do comprador em grande parte das negociações. Isso quer dizer basicamente que a palavra consumismo, em suma, significa o ato de comprar muitas coisas que, em sua maioria, não são necessárias"
"Diferença entre consumo e consumismo
No consumo, o ato de comprar está diretamente relacionado à necessidade ou à sobrevivência. Já quando se trata de consumismo, essa relação está rompida, ou seja, a pessoa não precisa daquilo que está adquirindo. O consumismo está vinculado ao gasto em produtos sem utilidade imediata, supérfluos. Esse hábito vem sendo discutido por muitos autores em suas origens e dimensões. Alguns estudiosos apontam a importância da publicidade na construção da obsessão pelo ato de comprar. Outros autores destacam a vinculação histórica da possibilidade de compra à vida boa, riqueza, saúde. Isso quer dizer que ao longo dos anos, pessoas que tinham maior poder de compra eram consideradas melhores que pessoas com menor poder de compra.
Consumismo é doença?
Quando o ato de comprar está vinculado diretamente à ansiedade e à satisfação, podemos dizer que se trata de uma compulsão. Em alguns casos, isso pode representar grandes perdas em termos de relacionamento interpessoal e qualidade de vida. Para que seja considerado doentio, o consumismo precisa representar uma parcela significativa da vida e dos pensamentos da pessoa, de forma que sua saúde emocional, psicológica ou mesmo social e financeira estejam abaladas. Nesses casos, a cisão entre necessidade e motivação da compra é completa, ou seja, a pessoa definitivamente não precisa e, muitas vezes, nem se dá conta do que está comprando.
Origem da tendência consumista
A origem da tendência de compulsão pelo ato de comprar tem suas origens na história da humanidade. Após os eventos da Revolução Industrial, os processos de produção e circulação de bens foram agilizados. Com o avanço da produção, houve um grande distanciamento das pessoas e do conhecimento em relação aos meios de produção. Para entender como isso se deu, basta pensar o quanto você conhece, por exemplo, dos processos de produção das coisas que você compra. Você sabe como são fabricados os produtos de higiene, alimentação, itens de decoração e outros? Conhece as formas de distribuição, importação e exportação? É justamente esse desconhecimento que historicamente foi denominado alienação. A alienação é a principal dimensão do consumismo, está na base da compra desvinculada da necessidade e do desconhecimento em relação ao valor de compra e de uso.
Ainda discutindo a história da tendência consumista, podemos destacar a vinculação da possibilidade de comprar ao poder, já que, por muitos anos, o consumo era privilégio de classes mais ricas. Com o desenvolvimento econômico, da produção e da publicidade, as distâncias foram sendo diminuídas. O que se pode perceber na atualidade é um nivelamento de desejos: crianças pobres e ricas querem os mesmos brinquedos, adultos de classes sociais distintas têm as mesmas vontades, reforçadas pelos modelos e padrões de vida apresentados pela mídia, como os gostos e hábitos de celebridades.
A criação e valorização social de padrões de comportamento é outra dimensão importante do consumismo. Para atingir o padrão de sucesso e boa vida, inúmeras pessoas investem seus esforços para adquirir bens que não necessitam.
Como saber mais sobre o consumismo?
As questões acerca do consumismo são bastante amplas e merecem discussões mais significativas. Todavia, alguns filmes podem ser bastante ilustrativos para compreender as diferentes dimensões dessa prática alienada. Entre eles, “Amor por contrato” (The Joneses), de Derrick Borte, que conta a história de uma família criada para impressionar e vender um estilo de vida. Já o documentário “Criança, a alma do negócio”, dirigido por Estela Renner, é um exemplo interessante para discutir a questão do consumismo, com atenção especial aos efeitos deste na infância e adolescência"
Veja mais sobre "Consumismo" em: https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/consumismo.htm
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Reflexões: ATENÇÃO!
ASSISTA O VÍDEO E ANOTE PERGUNTAS E RESPOSTAS NO CADERNO DE SOCIOLOGIA
1- Você é uma pessoa que gosta de fazer muitas compras? Explique:
2- Como podemos controlar nos hábitos de consumo? Explique:
3- Estamos sendo influenciados pela mídia em geral e nas redes sociais para comprar produtos desnecessários?
4- "A sociedade do consumo, como aponta Marilena Chauí, não é apenas uma forma de organizar a economia, mas uma lógica totalitária que age profundamente dentro do nosso inconsciente.
Ela transforma desejos em mercadorias, molda nossas aspirações e tenta apagar nossa autonomia crítica." Comente, explique como você entende a afirmação de Marilena Chauí, acima:
5- O que mais lhe chamou a atenção ao assistir este documentário?
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