Filosofia, ciência, tecnologia e sustentabilidade

 


A tecnologia que não salva, silencia e desespera

As andanças da modernidade levaram a mudanças significativas na forma de conviver. O crescimento e a complexidade da tecnologia é um campo aberto , para refazer descontroles e aproximar-se de culturas diferentes. O fato de ter fortes ligações com os mecanismos de poder impede que ela atravesse certos obstáculos e ganhe espaços de generosidade. Ela não é o mal em si. Não vamos culpá-la pelas agudas violências ou pela permanência da miséria em tantas regiões. No entanto, ela poderia ter outras aplicações e trazer mais equilíbrio. Tornou-se uma arrogância controlá-la. É um sinal de riqueza e de concentração de privilégios. Os caminhos da ciências nunca foram de neutralidade. Eles possuem encontros marcados com o mercado e a mais-valia.

Sobram exemplos. O sistema de saúde brasileiro sofre falta de planejamento. Há denúncias de mortes injustificáveis. O acesso à saúde é penoso e não é garantia de vida. Morrem crianças por motivos pouco claros. Os cenários se enchem de acusações. Ficamos perplexos. Muita coisa não é esclarecida e o pau se quebra nas costas dos mais pobres. Será que menos propagandas e mais investimentos não proporcionariam espaços acolhedores e dignos? Faltam profissionais  e os atendimentos são adiados, quando os doentes se apresentam, já, cansados de peregrinar em buscar de um leito ou de uma consulta. Basta ler os jornais e verificar que o absurdo se repete. As máquinas terminam, muitas vezes, sucateadas.

Não sabemos de tudo, porque a transparência não é a regra. Porém, não podemos negar que as invenções existem e a cura de muitas pessoas merece atenção especial. Não, apenas, na saúde, há a negligência. Na educação, criou-se certo mito de que os computadores salvam conhecimentos e ampliam a vontade de estudar. Nada contra os computadores e nem sua utilidade cotidiana. Às vezes, as as técnicas estão disponíveis, mas quem consegue entender seus segredos? Elas terminam envelhecendo e o desperdício se consolida. Enquanto isso, os salários dos professores são vergonhosos. Assunto que não se cansa de sair na imprensa e de ser bandeira de luta dos sindicatos.

Os desenganos fertilizam a concentração de privilégios, o esgotamento da paciência e o fechamento de um debate coletivo. A escuta, de quem governa, não se atormenta os problemas. Desviam-se as atenções e monta-se atmosfera de euforias em cima de números. A razão se mistura com a exaltação à quantidade. Por detrás dela, existem sentimentos, perdas, desilusões. As grandes obras têm lugar especial na divulgação dos feitos. E as condições dos acampamentos dos trabalhadores e seus protestos pouco lembrados?

O tempo não deve passar, sem que a observação crítica se forme. As conquistas revelam suas finalidades , quando a prática se efetiva. Quem consegue monopolizar os bons resultados? A memória sacode a história e ajuda a perceber que a trilha da modernidade está longe das utopias mínimas. Há quem silencie ou desconheça como os tempos se entrelaçam e a luta social muda seus objetivos. As múltiplas fragmentações derrubam raciocínios e escondem energias de protesto. Naturalizam-se desacertos e as tecnologias de comunicação alimentam redes sociais. Vale mais a fofoca do que o toque da solidariedade.

Por Antônio Rezende.

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O que é a filosofia da tecnologia?  - Edgar Lyra - Ética e Filosofia Política - Filosofia Acadêmica.


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Filosofia da Tecnologia - um breve histórico.

O surgimento do campo

Desde o início da filosofia ocidental na Grécia antiga, reflexões filosóficas sobre a tecnologia têm sido feitas. Platão, por exemplo, defendeu que a tecnologia imita a natureza e descreveu o mundo criado como a obra de um Artesão. Aristóteles, por sua vez, observou que, em alguns casos, a tecnologia completa o que a natureza não consegue finalizar. Além disso, fez distinção entre coisas naturais (physis) e artefatos (poiesis), pelo fato de estes, diferentemente daquelas, serem gerados (e mantidos) apenas por causas externas humanas – e não por princípios internos. Semelhantemente, esse filósofo também diferenciou a techné, enquanto o corpo de conhecimentos associados a uma prática, da episteme – que hoje seria associada ao conhecimento científico.

Essas reflexões mantiveram-se influentes durante o império romano e a Idade Média, principalmente pelo desenvolvimento da visão aristotélica de que a tecnologia não apenas imita a natureza, mas pode, também, superá-la. Essa concepção elevou, por exemplo, a apreciação pelas artes mecânicas no período escolástico, contribuindo para a inclusão destas, junto às artes liberais, no corpo de conhecimentos que deveria ser ensinado nas faculdades medievais.

Contudo, uma reflexão aprofundada sobre a tecnologia só veio a ser consistentemente retomada no Renascimento – em virtude, pelo menos em parte, dos vários avanços técnicos que ocorreram nessa época. Francis Bacon é comumente apontado como o principal expoente dessas novas reflexões. Em seu Novum Organum, de 1620, ele enfatizou a conexão intrínseca entre a investigação da natureza pela filosofia natural e a construção de “obras” técnicas.

Já no New Atlantis, escrito em 1623, ele apresentou uma visão utópica de um paraíso tecnológico, com vistas a guiar o desenvolvimento da sociedade nessa direção. René Descartes, no seu Discours de la Méthode, de 1637, também contribuiu para a formulação dessa ideologia moderna do progresso tecnológico, ao prognosticar um controle humano progressivo sobre a natureza por meio da aplicação dos crescentes conhecimentos provenientes do exercício da filosofia natural.

Essa atitude indiscriminadamente positiva em relação à tecnologia permaneceu praticamente inquestionada até à primeira metade do século XIX, permeando obras clássicas dessa época, como as de Karl Marx. No entanto, por volta dos anos 1870, os primeiros efeitos da Revolução Industrial danosos para a condição humana e a sociedade começaram a ser notados e criticados por diversos escritores. Por esse motivo, alguns autores identificam a metade do século XIX como o momento em que a tecnologia efetivamente se tornou um tema sui generis de reflexão filosófica.

Realmente, o primeiro livro dedicado à “filosofia da tecnologia” – e a cunhar essa expressão – foi publicado nesse período (KAPP, 1877) . Além disso, de fato, apesar de reflexões sobre a tecnologia terem sido feitas desde muito antes do século XIX, elas levavam em consideração os fenômenos tecnológicos apenas como parte de investigações e projetos filosóficos gerais, e não como objetos interessantes, em si, para a inquirição filosófica. Portanto, verdadeiramente, o final do século XIX foi um marco no desenvolvimento da FdT.

Desse momento em diante, mas predominantemente a partir do início do século XX, diferentes escritores começaram a abordar filosoficamente – mesmo não sendo filósofos profissionais – o, então, proeminente fenômeno da tecnologia no contexto da sociedade industrial (e.g. Jaspers, Diesel, Dessauer). Contudo, foi somente depois das duas Guerras Mundiais – com seus investimentos em desenvolvimento tecnológico e efeitos devastadores sem precedentes – que publicações em FdT proliferaram de fato.

Mais tarde, por volta do final da década de 1970 e início dos anos 1980, finalmente surgiram indicadores institucionais consistentes da efetiva emersão do campo de filosofia da tecnologia, tais como a fundação da Sociedade para Filosofia e Tecnologia, em 1976, e a publicação de livro-textos específicos de FdT (e.g. MITCHAM; MACKEY, 1972).

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Matéria de Capa - Tecnologias do Futuro -  TV Cultura - 2020

Sistemas de computação impenetráveis para hackers? Máquinas capazes de fazer em minutos tarefas que os computadores atuais levariam milhares de anos para completar? O que é a computação quântica? A tecnologia caminha a passos rápidos e também promete avanços científicos que melhorarão a vida das pessoas. A resposta para essas perguntas, você confere nesta edição do Matéria de Capa.


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Matéria de Capa - Projeto Artemis - TV Cultura -YouTube

O que sempre foi visto como ficção, agora se aproxima da realidade! O Matéria de Capa mostra que estamos cada vez mais perto de habitar Marte, e o primeiro passo é o Projeto Artemis. Desenvolvido por cientistas europeus e norte-americanos, o projeto levará astronautas para uma temporada na Lua, iniciando uma jornada com objetivo final de enviar seres humanos ao planeta vermelho

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Destruir para quê?

Somos animais pretensiosos. Construímos as histórias, buscamos significados e mergulhamos em aventuras. Não há uma cartografia que defina o caminho transparente. Acertamos e desacertamos. Desconstruímos, reinventamos, mas também sacudimos planos de destruição para iludir o coletivo e aumentar as ambições . Há quem acredite que o destruir se mova na ansiedade das riquezas. Talvez, esqueçam a sociabilidades, brincam de perversidades e imaginam que não existe incompletude. Apagam as reflexões e levantam a poeira de pesadelos. Formam-se delírios que amortecem sonhos e desenham invejas.

Temos necessidades e urgências. A tecnologia não nos garantiu eternidades. Surgem questões inesperadas que governos resolvem com pressões ou propagandas articuladas para enganar. A sociedade multiplica seus especialistas em promover danos, com sutilezas midiáticas. Possuem admiradores, ocupam cargos estratégicos e curtem as vitrines das redes sociais. Sorriem mesmo que as tragédias nos cerquem. Divertem-se com banalidades, minam a força da solidariedade e investem na egolatria.

O tema do meio-ambiente provoca controvérsias. As fumaças tomam conta das atmosferas, os rios apodrecem, o roubo das terras indígenas é uma fato. O capitalismo invade territórios e defende a insensatez. O debate se globaliza, os antigos colonizadores querem esquecer seus passados e argumentos. Explicam saídas e assanham tensões. Criam-se arrependimentos juntos com disfarces. A ciência se associa ao poder na ordem que gerencia a política. Somos animais sociais, temos astúcias, as violências não desapareceram e a competição estraga o afeto. As dúvidas ampliam os sofrimentos e reclamam por diálogos.

Diante de tantas ambiguidades e desequilíbrios, os limite se instalam. Será que estamos convivendo com um suicídio coletivo? Será que os feitiços da cultura nos tornam senhores de um mundo cheio de descontroles? Não custa refletir, desmontar arrogâncias e analisar o cotidiano nas suas repetições e na fabricação de armadilhas. Os incêndios são muitos e não atingem apenas as florestas. Todos morremos, com epidemias e depressões que aprofundam o mal estar tão comum nos nossos tempos. Há uma multidão de solitários que adoecem e nem notam que o labirinto é imenso e medonho.

Por: A astúcia de Ulisses.

REFLEXÕES, EXERCÍCIO E DEBATES

1- Leia, reflita e explique o significado da Charge.

2-  Escreva em seu caderno a resenha do vídeo "Tecnologias do Futuro"

3- Como Aristóteles definiu a tecnologia?

4- Comente em seu caderno: "Ela não é o mal em si. Não vamos culpá-la pelas agudas violências ou pela permanência da miséria em tantas regiões. No entanto, ela poderia ter outras aplicações e trazer mais equilíbrio. Tornou-se uma arrogância controlá-la". 

5- Explique: "O tema do meio-ambiente provoca controvérsias. As fumaças tomam conta das atmosferas, os rios apodrecem, o roubo das terras indígenas é uma fato. O capitalismo invade territórios e defende a insensatez."

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